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Guedes promete gás barato. É viável? Cai o preço do botijão de cozinha?

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Fonte: UOL

O ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu reduzir o preço do gás natural metade em 60 dias. Quem seria beneficiado com isso? Tem que ver com o botijão de gás para cozinhar? Os carros que usam o combustível também teriam vantagem? Ou é só para as indústrias?

Especialistas ouvidos pelo UOL comentam se esse objetivo de Guedes é viável. Segundo eles, são necessárias medidas de impacto para conseguir a redução do preço. Não é apenas com uma canetada.

O gás natural produzido no Brasil é considerado o mais caro do mundo. Segundo a Gás Energy, uma das principais empresas de consultoria do país em gás natural, a Petrobras cobra, em média, as distribuidoras US$ 9,85 (cerca de R$ 40) por 1 milhão de BTU (MMBTU), o equivalente a 26,8 m3.

Este mesmo MMBTU nos Estados Unidos custa US$ 2,92 (cerca de R$ 12), ou seja, um terço do preço. Na Europa, o valor do MMBTU é de US$ 7,99 (cerca de R$ 33).

Gás natural não está em garrafas

O gás natural é utilizado em botijões de cozinha. Este é o GLP (gás liquefeito de petróleo). O gás natural é o que chega por encanamento das casas e o comércio. É utilizado em cozinhas e casas-de-banho com chuveiro. Mas tem uma participação desprezível no mercado brasileiro de energia.

O consumo residencial e comercial de gás natural no Brasil representa apenas 2,6% do total. Na Argentina, apenas a participação residencial é de 27%, principalmente para o aquecimento nos meses de frio.

Outro segmento que deve ser beneficiado é o de veículos movidos a gás natural veicular (GNV), já que é usado como alternativa à gasolina e ao álcool. O gás natural substitui ainda o óleo combustível, diesel, carvão mineral e o vegetal e o urânio nas usinas termelétricas.

A indústria usa muito gás, e o preço é importante

O gás natural que chega à indústria é caro. Para os consumidores industriais de 10 mil m3/dia, o preço cobrado pelas distribuidoras, por 1 milhão de BTU varia de US$ 12,62 (cerca de R$ 52) US$ 19,13 (aproximadamente R$ 79), de acordo com a região do país e da distribuidora, de acordo com dados de março (última atualização) de Gás Energy.

“O ministro [Guedes] é correto em atacar este problema, já que a oferta de gás natural a preços competitivos é indispensável para que o parque industrial do país saia do marasmo atual, em especial a indústria petroquímica”, afirmou Yuri de Oliveira, professor titular da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O gás natural é uma importante matéria-prima na indústria petroquímica, competindo com a nafta. Pode ser utilizado para a produção de solventes e fertilizantes, como o amoníaco e ureia e seus derivados. Também serve na siderurgia (produção de aço).

Preço não cai apenas com uma canetada

Para o professor da UFRJ, a questão agora é como conseguir construir um processo de progressiva reestruturação do setor de gás natural e, em paralelo, assim como estabelecer um novo regime normativo em que esta nova estrutura institucional vai operar. Não é possível alcançar estes objectivos apenas com uma canetada”, disse.

Os especialistas dizem que a redução para metade o preço do gás natural não tem magia. Só precisa de competição (liberalização do mercado), normas (regras bem definidas, segurança jurídica) e o ambiente atraente (ampliação do mercado de consumo), considerado ainda tímido.

José Tavares de Araujo Jr., diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes) e sócio da Ecostrat Consultores, disse que a decisão do governo de desregulamentar e liberalizar o mercado de gás natural é muito positiva para o país, cujo efeito será sentido da redução dos preços do gás natural, praticados hoje em dia.

“É difícil calcular qual seria a redução de feito, com essas medidas, 20%, 30% ou 50%. Até porque, os preços do gás natural variam de estado para estado, de região para região, e da distribuidora a distribuidora. Mas, sem dúvida, haverá uma queda nos preços”, disse Araújo. Para ele, a liberalização do mercado de gás deveria ter feito muito antes, já durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

O professor da UFRJ também lamentou que a decisão de liberalizar o mercado de gás natural venha com atraso. Ele atribuiu ao excesso de atenção dos governos só se dá ao petróleo, à falta de infra-estrutura de dutos e ao pouco interesse da Petrobras em comercializar o gás natural.

Como baratear o gás natural

Moreira Neto, da Gás Energy, disse que os Estados Unidos, a criação de agências reguladoras eficientes e a diversificação da economia permitiram a explosão da oferta de gás não convencional. Segundo ele, o acesso às infra-estruturas essenciais, nos estados UNIDOS, por exemplo, não é uma questão aberta ou mal resolvida como no Brasil, mas uma certeza. “As condições do mercado norte-americano condicionam um valor menor para o gás”, disse o diretor da Gás Energy.

Avalia-Se que, na medida em que se produza a desverticalização do setor (participação de mais empresas na cadeia de produção) e a maturidade do mercado no Brasil, será possível atingir valores competitivos para o consumidor.

Consumo industrial está estagnada há mais de dez anos

O consumo da indústria está estagnada há quase dez anos no nível de 25,7 MMm3/dia. “As tarifas e as condições contratuais, não são atrativos para as indústrias, principalmente devido à falta de competitividade do gás”, disse Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da Gás Energy.

Segundo ele, o mercado brasileiro de gás natural que não se desenvolveu o suficiente para absorver a oferta do pré-sal de forma definitiva, porque as tarifas e as condições contratuais, não são atrativos para as indústrias, principalmente devido à falta de competitividade.

Em seis anos, a produção pode dobrar

Gás Energy estima que, em seis anos, a produção pode mais do que duplicar. Isso significa passar dos atuais 113,2 MMm3/dia para quase 230 MMm3/dia.

Moreira Neto, diz que é necessário que haja previsibilidade normativa, o acesso às infra-estruturas essenciais e um modelo claro para a entrada na rede de transporte. Isso permitiria aproveitar o potencial de produção. Atualmente, a Petrobras mantém o monopólio da produção e dos gasodutos.

Fonte: www.sindigas.org.br/novosite/?p=14596

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